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O Cerrado: Caracterização e Dinâmica Climática
O Cerrado é compreendido nesta pesquisa sob duas perspectivas complementares: como bioma, conceito que enfatiza vegetação, fauna e macroclima (Coutinho, 2006), e como domínio morfoclimático, que integra relevo, clima, solos e hidrografia como um sistema dinâmico (Ab'Saber, 1977). É uma savana tropical de cerca de 2 milhões de km², marcada pela alternância entre um inverno seco (maio a setembro) e um verão chuvoso (outubro a abril).
A precipitação anual média varia entre 1.200 e 1.800 mm, mas o número de dias sem chuva vem aumentando: de 148 dias em 2010 (o menor valor da série) para 205 dias em 2024 (o maior), segundo o MapBiomas.
Fonte: MapBiomas, 2024. Elaborado pela autora.
A expansão da antropização ao longo de quatro décadas revela a aceleração da ocupação humana sobre a vegetação nativa. Entre 1985 e 2024, o avanço das áreas antrópicas sobre as remanescentes naturais do bioma passou de 27,2% para 52,1% em 2024, que evidencia a redução expressiva da cobertura original e o avanço da fragmentação da paisagem (MapBiomas, 2024).
A degradação desse bioma ameaça os serviços ecossistêmicos vitais para a população brasileira, incluindo a viabilidade da agricultura (Bustamante, 2023). Os déficits hídricos vêm se intensificando, com redução sistemática da umidade relativa do ar nos meses secos, repercutindo negativamente sobre a saúde humana, a biodiversidade e as atividades socioeconômicas (Nascimento et al., 2021).
No Distrito Federal, dados da Estação Meteorológica de Brasília (INMET) confirmam a tendência: comparando os períodos 1961–1990 e 1991–2020, as temperaturas médias mensais subiram em todos os meses do ano, com diferenças mais expressivas entre setembro e novembro, o período de transição entre a estiagem e o início das chuvas.
A conversão de vegetação nativa em pastagens ou monoculturas reduz a precipitação local em até 10% e intensifica os períodos secos (Hoffmann; Jackson, 2000), criando um ciclo de retroalimentação: vegetação degradada agrava a estiagem, que por sua vez favorece mais degradação. As queimadas se concentram entre agosto e outubro, coincidindo com o pico da estação seca.
Fonte: MapBiomas Brasil.
No AdaptAR: o painel "Intensidade da Ilha de Calor no contexto das Escolas Públicas do Distrito Federal", na página inicial, mostra a ilha de calor de superfície (SUHI) da região em verão e inverno, com as escolas do campo empírico marcadas no mapa.
MapBiomas: Área por Classe de Cobertura
Dados oficiais de área por classe de cobertura e uso da terra no Distrito Federal, 1985–2025. Fonte: MapBiomas Brasil, Coleção 11 (2026).
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